Eu, de um acidente ou de amor
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Foi após escutar o poema “Prendre corps” (“Tomar corpo”, “incorporar”), de Ghérasim Luca, na versão musical feita pelo cantor francês Arthur H. que Loïc Demey decidiu escrever Eu, de um acidente ou de amor. Do poema, ele guardou a ideia de omitir os verbos, sejam no infinitivo, sejam conjugados, e de trocá-los por nomes, adjetivos ou advérbios.
Eu, de um acidente ou de amor conta uma história de amor entre dois parisienses de trinta anos, Adele e Hadrien. Depois do primeiro encontro nos Jardins de Luxemburgo, o narrador, Hadrien, enlouquece. Sem explicação e sob a tensão do desejo, seu discurso se fragmenta, se distorce, se desconstrói. Não consegue mais formar frases e tenta, em vão, tirar Adele de sua cabeça para voltar ao normal. Pois a situação é grave: a tempestade do amor o deixou sem verbo, sem ação, sem chão. Mas tomber amoureux (“apaixonar-se” ou, literalmente, “cair apaixonado”) não se trata justamente de uma queda?
Finalista no Prêmio de Tradução da Embaixada da França 2025.
Sobre o autor
Loïc Demey (1977) é escritor, professor de Educação Física e mora em Hagondange, no nordeste da França. Seu primeiro livro, Eu, de um acidente ou de amor (Cheyne Éditeur, 2014), vendeu mais de 15 mil exemplares na França e recebeu o prêmio da Société des Gens de Lettres (SGDL) na categoria “Revelação de poesia”. Seu segundo livro, D’un coeur léger / Carnet retrouvé du Dormeur du Val (“De um coração leve / Caderno reencontrado do Dorminhoco do Vale”), dá vida ao soldado do famoso poema de Arthur Rimbaud. Desde então, publicou livros de poesia e um romance.
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