Escrever além da raça: teoria e prática
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Para uma parte do público leitor, a textualidade fluida e certeira que hooks imprime em livros com repertório semelhante ao deste pode ser interpretada como um discurso “suave” diante de tensões tão prementes. No entanto, o problema está no terreno social dessa escrita, política e quase poética, marcada por agudeza e nitidez. Não há anúncio de um tempo pós-racial ou da superação das desigualdades de classe. Há, sim, mais páginas libertárias advindas de vozes conectadas a grupos e segmentos colonizados e subalternizados. As agressões a pessoas negras diante das câmeras e a notória ausência da negritude na direção de escolas, universidades, partidos, empresas e órgãos públicos constituem um recorrente sinal de alerta. Contra os sistemas de dominação, hooks interpõe a esperança e o amor, que têm sentidos políticos. Ao escrever sobre o amor, ela vai da esfera pessoal à social, passando por várias escalas, acrescentando dimensões coletivas, a exemplo dos movimentos e das comunidades.
— Alex Ratts, no Prefácio à edição brasileira
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